Zone Run e a Conquista de Território

Hoje o Zone Run Scheme é rodado na grande maioria das equipes brasileiras. Algumas aplicam de maneira bem eficaz, outras nem tanto e existe uma possibilidade dessa falha ser um problema técnico de solução rápida, simples e objetiva. Para isso é preciso primeiro desconstruir alguns conceitos compartilhados com você desde o início da sua prática […]

Hoje o Zone Run Scheme é rodado na grande maioria das equipes brasileiras. Algumas aplicam de maneira bem eficaz, outras nem tanto e existe uma possibilidade dessa falha ser um problema técnico de solução rápida, simples e objetiva.

Para isso é preciso primeiro desconstruir alguns conceitos compartilhados com você desde o início da sua prática no futebol americano.

 

Jogo terrestre é sobre conquistar território?

Provavelmente, lá no início, alguém falou pra você exatamente isso. Existem duas formas de avançar no futebol americano, pelo ar (passando a bola) ou pelo chão (correndo com a bola). E que ao correr com a bola, a conquista cada centímetro é importante. Na grande maioria das vezes este conceito é válido, mas nem sempre é assim. O jogo corrido não se resume num Big Cat Drill.

O futebol americano evoluiu muito taticamente desde a sua adaptação ao Rugby. Coaches estão sempre buscando modificar os seus bloqueios para utilizar um ângulo favorável ao seu defensor. Por isso, alguns conceitos foram criados no jogo terreste para realizar essa compensação tática, dentre eles, os mais utilizados são Power, Counter, Iso e Zone.

Para facilitar a angulação de nossos bloqueios, vamos a um conceito bem simples.

 

“Color” e “No Color”

Toda vez que vamos realizar bloqueios em zona, o ângulo de bloqueio é o que mais importa para nós, mas nem sempre é o mesmo ângulo que vamos atacar. Para isso, este conceito irá te ajudar.

Quando falamos “Color”, estamos dizendo que queremos buscar uma cor para bloquear, ou seja, nós vamos direcionar os nossos pés, cintura, ombros e cabeça exatamente em direção a essa cor. Já o “No Color”, nós não procuramos cores para bloquear, ou seja, nós passamos dessa cor, a angulação é maior.

 

Por isso o primeiro passo é tão importante. Toda vez que vamos bloquear uma Inside Zone, o Step Chart nos diz que devemos fazer o Zone Step (45 Graus em direção a corrida), devemos procurar uma cor (color), esteja você coberto ou não.

E ainda mais importante que você não faça o Reach / Hook Block para tentar selar o seu defensor, pois fazendo isso, você força ele a utilizar somente a lane que você selou e elimina uma outra opção.

Bloqueie sempre no “trilho” da sua zona e se tiver descoberto, realize o Angle Block, justamente procurando o conceito de color / no color.

Linha Ofensiva do Houston Texans realizando o Inside Zone Blocking (Color Concept)

 

Já na Outside Zone, iniciamos o bloqueio com um Bucket Step, justamente para que o nosso ângulo seja maior e mais fácil de assumir o No Color do defensor e realizar o Reach Block, ou seja, devemos passar do ombro de fora dele.  O importante é selar o bloqueio, passando o quadril e se colocando entre o defensor e o ball carrier.

OT Connor Williams realizando o Bucket Step, buscando o No Color do defensor

Conclusão

Com isso, nós podemos concluir que: “Zone Blocking não tem nada a ver com conquista de território e sim com a angulação do bloqueio.” MINGONI, Ítalo (2017)

Não faz diferença se você realiza o seu bloqueio na linha de scrimmage ou no segundo nível, contanto que a angulação esteja correta para aplicar a técnica necessária. Ajuste os ângulos dos seus bloqueios e corra feliz em suas Zone Runs.

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