Qual a receita para ser um grande coach?

“Do que é feito um grande coach de futebol americano?” Essa é uma pergunta que ouvi ser feita em todos encontros de coaches, seja aqui no Brasil ou nos EUA. Precedida por discretos sorrisos, a resposta costuma ser breve mas ampla. Um fator que aumenta minha curiorisidade pelo tema é a diferença de personalidade e […]

“Do que é feito um grande coach de futebol americano?” Essa é uma pergunta que ouvi ser feita em todos encontros de coaches, seja aqui no Brasil ou nos EUA. Precedida por discretos sorrisos, a resposta costuma ser breve mas ampla.

Um fator que aumenta minha curiorisidade pelo tema é a diferença de personalidade e modelo de gestão entre grandes coaches atuais e históricos do FA. Ou seja, mesmo atuando de diferentes maneiras gerais, é possível alcançar o mesmo sucesso.

Por conta disso, eu me coloco constantemente em busca da resposta à essa pergunta: “do que é feito um grande coach de futebol americano?”

Não julgo possuir a resposta definitiva nem mesmo me considero um grande coach; busco me colocar em constante evolução e me espelhar nos acertos desses grandes coaches. E nesse processo de aprendizagem, encontrei alguns indicativos do que pode ser a resposta que tanto busco.

Abaixo, compartilho alguns desses pontos.

 

Busca pelo conhecimento

Parece besteira citar isso, mas a busca por conhecimento deve ser irrestrita e contínua. Creio ser um erro focarmos apenas em assuntos que concernem nossa especialidade; e um erro pior ainda achar que domina o assunto e, por isso, pode “aliviar nos estudos”.

Percebo que os grandes coaches não dominam apenas os sistemas, técnicas, conceitos, etc que eles usam em suas equipes, mas também se aprofundam nos temas que optam por não utilizar.

Isso traz um diferencial muito grande em todos os processos de um coach, desde a preparação do playbook, da periodização da instalação, do gameplan, da atuação na sideline, da gestão dos ajustes, entre outros.

Saber muito além do exigido é certamente um dos diferenciais que um coach pode ter. Mas, apesar de ser muito importante, percebo que há outros, tão ou mais, determinantes para o sucesso de um coach.

 

“Servir para ser servido”

Esse é um grande princípio que todo líder deve ter, seja no esporte ou fora.

Todos sabem que a liderança imposta não tem efetividade nem duração. Mas qual seria a chave para ser aceito pelo elenco? Na minha opinião, essa chave é a empatia.

Traduzo empatia como a capacidade de, naturalmente, se colocar no lugar do outro e viver o processo da maneira que o outro o vive.

Alguns atletas aprendem rápido, a esses você deve passar informações mais completas. Outros atletas precisam de mais tempo para fixação do conhecimento, com esses você deve ser mais paciente e didático.

Alguns atletas apresentam resultado com uma liderança dura, outros demandam um cuidado maior na gestão da comunicação.

Alguns demandam muita atenção, outros são mais independentes…

Enfim, dentro de um elenco, a variedade de personalidades é muito grande. Como bom coach, você deve perceber isso e servir a cada uma dessas variações de maneira exclusiva.

Esse talvez seja o maior desafio.

 

Atenção à individualidade reflete na coletividade

Esse é um desdobramento do tópico anterior, mas julgo muito interessante e por isso o trato de maneira separada.

Muitos devem ter vivenciado a ação de líderes que discriminam a atenção individual dos seus comandados. A ideia de que o coletivo é sempre mais importante que o individual acaba trazendo algumas armadilhas. E uma delas é rechaçar todos os desejos individuais em nome de um ideal coletivo.

Sim, o grupo deve ser mais importante que o indivíduo; porém, não podemos cair no erro de achar que todos devem ser tratados da mesma forma; ou seja, não podemos ignorar as características individuais dos atletas.

Os objetivos individuais não devem ser deixados de lado em troca do objetivo coletivo, mas sim devem ser alinhados com o objetivo coletivo.

Logicamente que, quando os interesses de um atleta se opõem aos do grupo, é melhor não tê-lo no elenco.

 

“All inclusive coach”

Eu sei, dá trabalho e toma tempo… mas ser um técnico de sucesso demanda que você se coloque como parceiro dos seus atletas em todos assuntos, e não apenas nos relativos ao futebol americano.

Coach Bronco Mendenhall

Eu escutei sobre o conceito “all inclusive coach” na brilhante palestra do coach Bronco Mendenhall, Head Coach do time da Universidade da Virgínia, durante a Conferência Anual de Coaches da AFCA de 2018.

Coach Mendenhall basicamente prega que um coach precisa saber se seu atleta está com problemas em casa, no emprego, na escola ou em qualquer outra área.

E indo além, precisa compreender e se colocar à disposição do atleta. Alguns atletas irão lhe envolver na questão, outros sequer irão abrir o assunto a você; mas isso não importa, o importante é que você se coloque à disposição dele (nem que seja apenas pra escutar os problemas) e, quando necessário, auxiliar na solução desses problemas.

Agir para fortalecer o relacionamento entre coach e atletas é uma filosofia do coach Mendenhall. Para mim, isso faz muito sentido.

 

Qual a sua opinião?

Costumo dizer que o FA é tão magico a ponto de vermos debates onde pessoas apresentam opiniões muito distintas sobre um mesmo assunto e ainda assim todas estão com razão.

E esse assunto não é diferente. Por isso, quero saber a sua opinião também. Para você, “Do que é feito um grande coach de futebol americano?”

Mande suas considerações por e-mail (carlos.copi@gmail.com) ou deixe nos comentários do site ou do facebook.

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