O-Line Pass Set: Qual deles devo utilizar?

O futebol americano no Brasil tem evoluído muito, principalmente dentro de campo. No quesito tático, a troca de experiências com coaches americanos e a dedicação e estudo dos coaches brasileiros fizeram o esporte dar um salto de crescimento. Para os atletas, a aplicação dos estudos são realizados em outro quesito, o técnico. Estamos imersos em […]

O futebol americano no Brasil tem evoluído muito, principalmente dentro de campo.

No quesito tático, a troca de experiências com coaches americanos e a dedicação e estudo dos coaches brasileiros fizeram o esporte dar um salto de crescimento. Para os atletas, a aplicação dos estudos são realizados em outro quesito, o técnico.

Estamos imersos em um esporte muito inteligente onde precisamos nos superar em diversos quesitos diariamente. Quanto mais evoluímos, mais minuciosa essas mudanças são e um simples fator, como por exemplo o posicionamento das mãos ou o ângulo da sua passada pode interferir no sucesso da jogada.

Para ajudar na evolução técnica da linha ofensiva, nós iremos abordar três tipos diferentes de recuo na proteção de passe. Chamadas de Pass Set, essas técnicas são simples e eficazes, porém, requerem uma execução perfeita.

Lembrando, não estamos falando de bloqueios e sim das técnicas para realizá-los.

 

Kick Set

Também conhecido como “Kick and Slide”, possivelmente é a técnica mais utilizada quando estamos realizando uma proteção de passe. Esta técnica é bastante utilizada quando o bloqueio é Big on Big (homem a homem).

A aplicação consiste em recuar dando um drop power step para trás com o pé do lado em que você está na linha, seguido de um slide do pé interno, voltando para a sua base. Vamos aos coaching points:

  • O primeiro passo do recuo (Drop Step) precisa de ser um power step, ou seja, a pisada é forte e precisa ser aplicada com o pé inteiro no chão, esquece a ideia de ficar na ponta do pé para recuar.
  • O slide é slide por um motivo … 80% do seu peso corporal deve estar na perna de apoio. Se a maioria do peso está na perna de apoio, você não consegue tirar esse pé do chão, por isso ele será “arrastado”. Por isso a técnica chama “kick and slide” e não “kick and kick”.
  • Não transfira o peso para a perna de trás. Isso é tudo que o defensor quer. Quando fizer isso, perderá o controle do seu corpo e ele irá explorar isso.
  • Stay Low… Stay Big. Essas são as regras básicas do futebol americano na linha ofensiva. Fique com os ombros retos (Square Shoulders), não crie buracos para os defensores atacarem.

Vertical Set

A primeira vista, a execução dessa técnica parece a aplicação do Kick and Slide, só que sem respeitar o método de aplicação. Mas ela é uma técnica bem efetiva, principalmente em ataques de 5 e 7 steps concepts, onde o bloqueio precisa durar mais para que a jogada se desenvolva e na sua grande maioria em conceitos spread. Mas não se deixe enganar pelo fato de ter feito isso a vida inteira sem saber o que era Vertical Set e achar que isso era certo.

Na teoria, o Vertical Set é aplicado com o recuo de toda linha ofensiva como se fosse um backpedal, formando uma nova linha de scrimmage imaginária uma ou duas jardas do ponto original do snap. Quando a bola sai da mão do center, a linha ofensiva recua rapidamente e profundamente, quase que em passos coreografados, onde eles “sentam” e recebem o impacto da linha defensiva.

A premissa é simples: combater um DL na linha de scrimmage pode ser uma desvantagem, pois o seu stance é mais explosivo e tem um ângulo mais favorável perante ao OL. Recuando dessa maneira, o OL tem a possibilidade de abaixar o seu centro de gravidade para combater o DL, que vai perdendo o seu “Leverage” enquanto avança.

Outro ponto positivo é que ao realizar o seu backpedal, o OL consegue observar a reação da defesa, lendo com mais facilidade as blitzes e stunts, por exemplo. Então, vamos aos coaching points:

  • Recue rapidamente entre 2 e 4 jardas, fazendo o backpedal. Não tem necessidade dos primeiros passos serem power, o foco aqui é agilidade e velocidade.
  • Mesmo que os defensores ataquem muito por fora, não virem enquanto estiverem recuando. A regra do Stay Low / Stay Big também vale aqui.
  • Eyes on Prize! Sempre que recuar, fique de olho na movimentação da defesa e no “seu” defensor do Box Counting.
  • Chegou no seu ponto de recuo? Ancore para receber o contato. Abaixe o centro de gravidade. Você ganhará vantagem em Leverage mas o seu defensor também irá construir uma velocidade maior para engajar e aplicar técnicas como Bull Rush.
  • Não ataque de primeira, “rastreie” o seu defensor com a sua mão esterna e só coloque a mão de fato quando for aplicar o seu bloqueio.

 

Jump Set

Essa técnica também é aplicada involuntariamente no Brasil. Não que atletas saibam o que estão fazendo, mas é uma compensação do jogo técnico.

O jump set é uma técnica mais agressiva, utilizada normalmente em proteções de Big on Big ou play action e a intenção é diminuir a distância entre o OL e o defensor para aplicar o seu bloqueio antes mesmo que esse defensor consiga aplicar qualquer técnica.

É usado normalmente em bloqueios de three steps concepts, mas não impede de ser utilizados em outros conceitos. Essa técnica não pode ser utilizada se existe alguma chance de stunts entre defensores. O primeiro passo (Drop Step) é baseado na distância que o defensor externo está. Se ele está Shade ou próximo do ombro externo, o passo é curto (entre 10 e 15 cm) e quanto mais aberto, maior é o passo. O segundo passo é sempre curto, porém power. É basicamente a mesma técnica de aplicação de um Drive Block na corrida.

Assim que realizarmos o nosso primeiro passo, vamos atacar com a mão interna o cotovelo ou costelas do defensor para evitar uma penetração por dentro. O segundo passo consiste em atacar o “queixo” do defensor com nossa facemask. Depois de aplicar a técnica, recuaremos, ficaremos de frente para o defensor e manteremos os pés em movimento, aguardando o seu “ataque”, lembrando sempre de usar a mão de dentro para segurá-lo. Coaching Points:

  • Movimente-se rapidamente, surpreenda o defensor.
  • Ataque-o sempre com a mão interna, dê um contato forte e explosivo com sua facemask em seu queixo para deixá-lo atordoado.
  • Recue para sua posição original e ancore. Aguarde o contato com mãos e pés em movimentos.
  • Utilize sua mão interna para não deixar ele atacar o seu gap interno.

Afinal, qual deles o meu time pode ou deve utilizar?

Infelizmente, não sou eu quem te dará essa resposta. O que eu indico é que eles saibam essas técnicas e principalmente quando aplicá-las, colocando toda a sua linha ofensiva na mesma página.

Existem técnicas que se encaixam melhor em determinados conceitos ofensivos, por isso, como cada equipe tem um conceito diferente, precisamos estudar para saber o que cabe.

Por fim, conheça os seus atletas e se pergunte se eles são capazes de executar alguma técnica. E se todas as respostas para as últimas perguntas forem “Sim”, treine incansavelmente as ténicas para executá-las com perfeição.

 

Agradeço ao coach Heitor Medeiros do Bulls Potiguares pela sugestão de pauta.

Se tiverem dúvidas, eu me coloco a disposição no chat da minha página facebook.com/italomingoni.

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