O ataque no Futebol Americano – Parte 4: primeiros incentivos ao jogo aéreo

A evolução que resultou em regressão do futebol americano Contraditoriamente, conforme o futebol americano foi experimentando notáveis evoluções no jogo corrido, a estética das partidas foi regredindo e voltando a aparentar aquele futebol americano das décadas anteriores, com pilhas humanas sendo formadas a cada jogada e sem muita emoção. Isso fez com que a popularidade […]

A evolução que resultou em regressão do futebol americano

Contraditoriamente, conforme o futebol americano foi experimentando notáveis evoluções no jogo corrido, a estética das partidas foi regredindo e voltando a aparentar aquele futebol americano das décadas anteriores, com pilhas humanas sendo formadas a cada jogada e sem muita emoção. Isso fez com que a popularidade do esporte caísse vertiginosamente na década de 70. Afinal, assistir a uma partida de futebol americano tinha se tornado algo chato.

Para exemplificar isso, em 1977 a NFL registrou uma média de 17,1 pontos marcados por jogo. Naquele ano, os times executavam apenas 12,5 passes por jogo com um aproveitamento inferior a 50%.

Frente aos estádios vazios, a NFL tomou uma decisão ousada: mexer nas regras para dar mais vantagens ao jogo aéreo. E foi somente em 1978 que a NFL permitiu que os jogadores da linha ofensiva usassem as mãos para bloquear os adversários, o que facilitou a estruturação de bloqueios para passes (que são bastante distintos dos para corridas). Além disso, uma regra fundamental para ter mais passes completados foi criada: tornou-se proibido bloquear um recebedor além de 5 jardas. Essas regras permanecem até hoje e foram elas que incentivaram o renascimento do jogo aéreo na NFL.

4verts_air_coryell

Na NFL, desponta o ataque Air Coryell

Coach Don Coryell, conhecido por chamar jogadas aéreas com muita frequência assume o comando do San Diego Chargers em 1978, logo após as mudanças de regras para fomentar o jogo aéreo. Com um ataque encantador (chamado de AIR CORYELL), coach Don Coryell conquistou três títulos de divisão (Divisão AFC Oeste) e chegou aos playoffs em 4 anos seguidos, de 79 a 82.

Os anos seguintes foram marcados pelo fracasso e duras críticas ao coach Coryell. A maior das críticas era pelo seu total descaso com o setor defensivo. O coordenador defensivo do Chargers chegou a falar que Don nem olhava para a defesa durante os treinos, deixava que os jogadores de defesa organizassem e aplicassem os treinos e não se interessava nem em saber nada sobre o plano de jogo defensivo.

Coryell nunca conseguiu levar a equipe ao Super Bowl e se aposentou em 1986 após passar 4 temporadas sem conseguir mais vitórias do que derrotas.

Enquanto isso, no College Football…

Porém, a nível universitário tais mudanças não surtiram muito efeito nos gramados. Na temporada de 1983-84, a Universidade de Notre Dame, os Fighting Irish, era a equipe que, dentre as maiores do College Football, mais utilizava passes em seu jogo. E faziam isso em apenas 34,8% das jogadas. Os demais times universitários mantinham uma média de passar em apenas 23%.

A filosofia do jogo aéreo já tinha somado quase 80 anos de existência e ainda continuava sendo deixada de lado, ignorada nos níveis College e Highschool.

Um sinal de mudança vem do Mississippi

No entanto, na temporada que se iniciou em 1984, um time universitário chamou a atenção do país inteiro. O ataque da Mississippi Valley State University (MVSU) adotou o jogo aéreo como arma principal. Para tal, o coach da equipe, Archie Cooley, contava com um poderoso jogador em seu elenco: o lendário recebedor Jerry Rice.

Jerry Rice beirava a perfeição, não desperdiçava oportunidades de receber a bola e avançar em campo. Foi então que coach Cooley percebeu que as defesas adversárias estavam colocando dois ou até mesmo três jogadores para marcar seu recebedor destaque. Então, como resposta, ele colocou outros 3 recebedores do outro lado do campo forçando a defesa a ter que escolher quem deixaria livre, o fenômeno Jerry Rice ou os outros 3 recebedores. O resultado disso? Naquela temporada, o ataque da MVSU anotou 58 touchdowns com uma média de 54 passes por jogo e um total de 5.043 jardas totais somadas em 11 jogos.  Marcas incríveis que até hoje estão entre as maiores da história do College Football.

Onde há fumaça há fogo?

Após Jerry Rice se graduar e ir pra NFL, o que aconteceu com o College Football?

Será que finalmente o jogo aéreo ganhou espaço e conquistou popularidade na comunidade de coaches universitários?

Você quer saber a sequência disso? Acompanhe nosso próximo artigo a respeito do assunto. Em breve aqui no Portal do FA.

Deixe um Comentário

Name *
Email *
Website
Comentarios *

Related Post

Sobre

O melhor conteúdo de futebol americano para amantes do esporte como nós ;)
Fique por dentro do que rola no FA no Brasil e no mundo com o Portal do FA.

Contato

Rua Monsenhor Ivo Zanlorenzi, 3847, Mossungue
Curitiba – Paraná - Brasil
UP