Como desenvolver o jogo aéreo da sua equipe РIntrodução aos Conceitos de Passe

Me recordo de meu primeiro contato com o futebol americano: um grupo de amigos, uma bola de borracha, uma quadra de areia. Uma situa√ß√£o muito parecida com o ‚Äúbackyard football‚ÄĚ l√° nos Estados Unidos e, que poderia ser comparada com a pelada aqui no nosso pa√≠s. L√° fora, o¬†football¬†faz parte da rotina de muita gente […]

Me recordo de meu primeiro contato com o futebol americano: um grupo de amigos, uma bola de borracha, uma quadra de areia. Uma situa√ß√£o muito parecida com o ‚Äúbackyard football‚ÄĚ l√° nos Estados Unidos e, que poderia ser comparada com a pelada aqui no nosso pa√≠s. L√° fora, o¬†football¬†faz parte da rotina de muita gente mas, por aqui, nem tanto.

Voltando √†s mem√≥rias… dois times, divididos no par ou √≠mpar, e um quarterback pra cada lado, que tamb√©m organizava a defesa. As jogadas? Bem, n√£o existiam jogadas; uns riscos no ch√£o, ‚Äúvoc√™ cruza aqui, voc√™ corre no fundo l√°, voc√™ tenta ficar livre‚ÄĚ. O snap acontecia, a poeira subia e todos est√°vamos felizes. Cen√°rio esse, que fez parte da hist√≥ria de muitos jogadores aqui no pa√≠s e que resultou na evolu√ß√£o do esporte por aqui.

 

Buscando a evolução

No in√≠cio, as equipes por aqui s√≥ corriam com a bola, era comum ver forma√ß√Ķes pesadas tanto no ataque quanto na defesa, tentando conquistar campo atrav√©s da for√ßa e ra√ßa. Como vimos aqui no Portal do FA (“O ataque no Futebol Americano – O in√≠cio de tudo“), l√° nos Estados Unidos tamb√©m foi assim e evoluiu.

E por aqui, ap√≥s quase uma d√©cada do primeiro jogo “full pads”, podemos observar um enorme avan√ßo t√°tico nas equipes de ponta, jogando muitas vezes com 3, 4 Wide Receivers espalhados pelo campo. Dias atr√°s, acabamos de presenciar um √≥timo duelo entre o Paran√° HP e o Coritiba Crocodiles a todo vapor utilizando o ‚Äúup tempo‚ÄĚ (“Croco x HP – Epopeia Paranaense“), t√°tica que revolucionou o College Football nos anos 90.

Mas, nem tudo s√£o flores. Como √© um esporte pouco difundido ainda no pa√≠s, nem todas as equipes tem acesso a t√©cnicos com um conhecimento t√°tico avan√ßado e o conte√ļdo presente em nossa l√≠ngua ainda deixa a desejar, dificultando a vida de quem n√£o tem flu√™ncia em ingl√™s. A transi√ß√£o entre a recrea√ß√£o e o profissionalismo se torna ent√£o dif√≠cil, e como consequ√™ncia disso o improviso t√°tico ainda pode ser visto em algumas partidas.

Pensando em contribuir para os amantes do Football em geral, essa série visa aprofundar um pouco a respeito do jogo aéreo e facilitar a vida dos iniciantes do esporte através de conceitos de passe utilizados amplamente no College e na NFL.

 

Conceitos de passe

Depois da brincadeira na areia, uma equipe. A comissão técnica se forma e aí vem a decisão: como implementar o jogo aéreo?

Muitas equipes decidem por utilizar jogadas específicas, para cada formação ou grupo de jogadores, simplificando a princípio o aprendizado do playbook inicial mas, a medida que as necessidades crescem, uma escolha deve ser feita: manter o playbook simples, com poucas jogadas e buscar a eficiência nelas ou se adequar a cada situação de jogo, elaborando uma nova jogada para cada situação.

O resultado geralmente √© previs√≠vel, ou as tend√™ncias do jogo a√©reo se tornam f√°ceis de serem identificadas pelas equipes advers√°rias, ou o grande n√ļmero de jogadas pode gerar limita√ß√Ķes no entrosamento para uma equipe iniciante, seja pela falta de sincronia, seja pela dificuldade ao decorar o playbook.

Pensando nisso, os conceitos de passe foram desenvolvidos com o objetivo de simplificar a vida da equipe ao manter padr√Ķes nas jogadas que por sua vez podem ser implementadas nas mais diferentes forma√ß√Ķes. Variedade no visual em campo com simplicidade na execu√ß√£o, essa √© a chave para o sucesso de muitas equipes.

Para entendermos melhor o que seria um conceito de passe, Dan Gonzalez afirma que uma jogada precisa obedecer aos seguintes critérios:

  • Oferecer um ritmo ou progress√£o de leitura que mantenha os locais e os tempos de passe para cada rota;
  • Um jogador ou combina√ß√£o de rotas, que possam ficar livres caso a defesa chamada consiga defender as principais rotas do conceito;
  • Uma rota curta que sirva de sa√≠da para uma poss√≠vel blitz ou press√£o instant√Ęnea no Quarterback;
  • E principalmente, a habilidade para que possa ser ajustada e implementada em diferentes forma√ß√Ķes, obedecendo aos crit√©rios anteriores.

Sendo assim, podemos utilizar um mesmo conceito em diferentes forma√ß√Ķes, dificultando a vida da defesa e facilitando leitura do quarterback e do funcionamento do ataque como um todo. Para equipes iniciantes o trabalho √© facilitado e, para equipes mais experientes, algumas ‚Äútags‚ÄĚ podem ser implementadas para modificar uma parte do conceito ao ajustar algumas rotas para um determinado tipo de defesa.

 

4 Verticals

 

 

 

 

 

 

Acima podemos ver como exemplo o conceito conhecido como ‚Äú4 verticals‚ÄĚ que pode ser facilmente adaptado √† v√°rias forma√ß√Ķes e com os mais diversos grupos de jogadores. Em cada caso, basta apenas adaptar o local de execu√ß√£o de cada rota para que os jogadores estejam sempre no mesmo lugar, no mesmo momento, independente da forma√ß√£o utilizada.

Com um pouco de estudo e esforço, toda equipe pode ter um playbook bem organizado e eficiente contra as mais diversas coberturas, sem entregar o jogo para a defesa.

 

Vem mais pela frente

Na nossa próxima publicação, conhecer um pouco mais sobre os conceitos de passe e aspectos importantes da sua implementação no livro de jogadas da equipe.

Clique aqui e acompanhe: Conceitos de Passe (Parte 1) РGanhe mais jardas passando a bola

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