Bill Belichick e o sistema que fez de Tom Brady o maior de todos na NFL

A vitória do NEW ENGLAND PATRIOTS na edição 51 do SUPER BOWL, a final da NFL, por 34 a 28 na prorrogação e com tons dramáticos após ficar 25 pontos atrás no placar, reacende o debate sobre quem é o GOAT (Greatest of All Time, ou, O Maior de Todos os Tempos) do futebol americano. Pra […]

A vitória do NEW ENGLAND PATRIOTS na edição 51 do SUPER BOWL, a final da NFL, por 34 a 28 na prorrogação e com tons dramáticos após ficar 25 pontos atrás no placar, reacende o debate sobre quem é o GOAT (Greatest of All Time, ou, O Maior de Todos os Tempos) do futebol americano. Pra muitos, não há duvidas, Tom Brady é o maior jogador da história, para outros tantos, tiveram jogadores melhores que o maridão da Gisele, e para alguns, não há termos de comparação entre o jogador de Bill Belichick e outros como Joe Montana e Otto Graham, já que em tempos mais remotos as regras não protegiam o quarterback ou os recebedores como é a realidade de hoje na NFL.

Muitos hão de usar argumentos rasos para apontar para o sim e para o não, outros trarão mais conteúdo ao embate e existirão até aqueles que, por não terem argumentos, vão lançar mão da agressividade e do baixo calão para se fazer ouvir. Porém, nada disso há de diminuir as glórias saboreadas pela franquia de Massachussets desde que Brady começou a operar a equipe. Talvez o californiano não seja o MELHOR de todos os tempos, mas resta pouca dúvida de que ele é, sim, o MAIOR, após conquistar seu quinto anel.

Porém, olhar somente para como Thomas Edward Patrick Brady Junior, que saiu da Universidade de Michigan apenas na sexta rodada do draft de 2000, ascendeu ao topo do maior esporte do planeta é ignorar a ajuda magistral que o QB recebeu em seus 17 anos de carreira.

Desde 1994, quando a NFL adotou o sistema de salary cap, que é o valor máximo que uma equipe pode pagar a seus jogadores, nenhum time chegou perto da dominância experimentada pelos Pats. Em 23 anos, são 12 disputas de final de conferência, sete aparições no Super Bowl e cinco conquistas. São marcas expressivas para uma equipe que, em 2017, chegou a sua sexta decisão da AFC consecutiva, melhor marca da história da liga, e que colocou Brady em posição de ganhar seu quarto título de MVP do grande jogo, também recorde da NFL.

Se antes do salary cap equipes com donos multibilionários como Cowboys, 49ers e Steelers tinham uma vantagem competitiva sobre os adversários, já que podiam lançar mão dos dólares de seus donos à vontade, na era do equilíbrio e planejamento imposto pelo teto salarial ninguém conseguiu desvendar o segredo do gerenciamento como os comandados de Robert Kraft (proprietário dos Pats).

A escola Patriots de gerenciamento tem sua figura central em Bill Belichick. Natural de Nashville, Tennessee, Belichick tem na família suas raízes no esporte. Seu pai, Steve, foi olheiro e treinou o time da Marinha por 34 anos, entre 1956 e 1989. Bill começou como assistente no Baltimore Colts, em 1975, e foi comandante dos Browns entre 1991 e 1995 antes de assumir a chefia em Boston. São, agora, sete conquistas de Super Bowl, duas como assistente nos Giants, e cinco como head coach dos Pats.

Hoje, Bill tem controle total sobre as operações esportivas da equipe, funcionando como general manager e como técnico. Por ele passam desde as decisões sobre quem será escolhido no draft, quem estará no plantel ano após ano e, também, como será o plano de jogo da equipe, entre outras diversas coisas. E ele tem mostrado excelência em todas as áreas.

Bill Belichick é o cérebro por trás do sucesso dos Patriots (crédito: Flickr/seatacular)

Naturalmente, tamanho sucesso não veio somente pela brilhante mente de Belichick. O treinador sempre contou com executivos, olheiros, administradores e treinadores de grande conhecimento em sua equipe. Figuras como Scott Pioli e Thomas Dimitroff, que hoje administram os Falcons, Ozzie Newsome, GM dos Ravens, Bill O’Brien, técnico dos Texans, e até Nick Saban, que comanda a Universidade de Alabama desde 2007 e tem cinco títulos nacionais universitários, forjaram suas carreiras no FA sob a tutela de Bill Belichick.

Para aqueles que só olham o resultado final da equipe na temporada, com a conquista do Lombardi Trophy no começo de fevereiro, é vago o entendimento da capacidade gerencial e técnica de Belichick. Estes preferem apontar para Brady como a razão do sucesso. Não que o lançador não seja fundamental, mas está longe de ser indispensável para o comandante. Aliás, ninguém é insubstituível para Bill.

É preciso voltar até 11 de setembro de 2016, quando os Pats viajaram até Phoenix, no Arizona, abrir sua caminhada na temporada contra os Cardinals. Brady estava suspenso das quatro primeiras partidas, por conta de seu suposto envolvimento no escândalo deflategate, e quem comandou a equipe neste período foram os jovens Jimmy Garoppolo e Jacoby Brissett.

Mas o lançador não era a única baixa. O principal tight end da equipe, e da NFL, Rob Gronkowski, perdeu as duas primeiras partidas da temporada por lesão, e jogou apenas oito jogos em 2016. Chandler Jones, linebacker que no ano anterior tinha conseguido 12,5 sacks, foi trocado antes da temporada para os Cardinals. Mais uma ausência na defesa foi Jamie Collins, outro linebacker trocado pelos Patriots com os Browns, este na semana nove. É o emprego perfeito da velha filosofia da NFL, bradada a quatro ventos como um cliché, o ‘next man up’. Quando um jogador se vai, entra o próximo e tem que dar conta do recado. E Belichick é o mestre da arte.

Quando Brady assumiu as rédeas da equipe novamente, eram três vitórias e uma derrota. A partir daí, apenas os Seahawks conseguiram derrubar os Pats, na semana dez da temporada regular. A campanha culminou com a conquista do Super Bowl em Houston, no último dia 05 de fevereiro.

Há de se pensar que tal time estruturado e competitivo por anos a fio acaba enfrentando problemas salariais, e por isso a troca de duas peças centrais da defesa, Collins e Jones. Porém, não é tal a realidade. Segundo o site Spotrac, que monitora a situação salarial das equipes da NFL, os Patriots terão, no começo do próximo ano da bola oval (09 de março), a quarta menor folha salarial. Isso quer dizer que para compor a equipe e brigar pelo título em 2017, Belichick terá mais de 68 milhões de dólares a sua disposição, o que é mais de um terço do teto a ser gasto. Mais uma aula de gerenciamento, desta vez financeiro.

Antes do jogo decisivo em Houston, Brady foi perguntado quem se aposentaria antes, ele ou Bill, e sua resposta foi um tanto evasiva, já que o craque chega aos 40 anos em 2017 e o tempo de pendurar as chuteiras está chegando, invariavelmente. Porém, em certa altura da fala, Brady disse que Belichick é o melhor de todos. E aí está uma verdade. Brady pode não ser o GOAT, e a discussão ficará aberta por anos e anos, mas como questionar a grandeza de Bill Belichick.

Há um mantra implementado pelo treinador em New England, usado amplamente pelos torcedores da equipe, que diz ‘do your job’ (faça seu trabalho). Certamente, fazendo seu serviço, Bill Belichick é o melhor de todos os tempos. Palavras de Tom Brady.

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